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Insta.grana

“Tivesse o Facebook a ser desenvolvido nos dias de hoje e ele seria desenvolvido tendo em mente as plataformas móveis”. A frase pertence a James Pearce, Head of mobile devel­op­er rela­tions do Face­book, numa conversa com um conjunto de jornalistas.

Essa conversa vinha na sequência da aquisição do Instagram pelo Facebook por 1.000 milhões de dólares. Para os (poucos de vós) mais desatentos o Instagram é uma startup que lançou uma aplicação homónima para iPhone há 17 meses atrás. Tida inicialmente como engraçada (a empresa e a app) depressa se verificou que a simples combinação de colocar uns filtros/efeitos às fotos tiradas com o iPhone com a possibilidade de imediatamente as partilhar com os amigos/seguidores em apenas dois cliques era money in the bank. Na primeira semana na App Store tinha conseguido angariar 200.000 utilizadores, em Fevereiro do ano passado eram 1,75 milhões e, quando a 9 de Abril de 2012 Mark Zuckerberg anunciou o negócio no seu perfil do Facebook, a Instagram para iPhone já tinha sido descarregada 30 milhões de vezes e a aplicação para Android, que tinha sido lançada seis dias antes, tinha já 5 milhões de utilizadores.

A questão colocada por muitos na altura foi a arbitrariedade na avaliação de uma empresa com ZERO$ de revenues e sem modelo de negócio aparente. Valeriam esses menos tangíveis capitais – talento e tecnologia – os mil milhões?

Quando o CEO do Facebook anunciou que “há anos que estamos focados em oferecer a melhor experiência na partilha de fotos entre família e amigos” e que “agora vamos poder trabalhar em conjunto com a equipa do Instagram”, o que realmente quis dizer foi “acabámos de comprar o nosso maior concorrente!”. E sim, também comprámos uma equipa muito competente que nos pode ajudar a levar ainda mais utilizadores para o mobile.

É que, embora os acessos através de dispositivos móveis ao Facebook seja cada vez maior (de 2010 para 2011 duplicou de 100 para 200 milhões de utilizadores e hoje terá já perto de 450 milhões de utilizadores) e que uma substantiva parte destes seja feito através de aplicações nativas para iPhone e Android, o acesso via browser mobile ainda é dominante.

Agora atente: o Facebook manda mensalmente 60 milhões de pessoas para outras lojas para comprar outras aplicações. Se conseguir convencer programadores que o segredo está nas webapps isso possibilitaria a venda integrada dessas aplicações numa webapp Store by Facebook sem ter de recorrer a uma App Store ou Google Play. E começar com os 35 milhões de utilizadores do Instagram pode ser uma excelente forma de o fazer.

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