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Chappie, paga aí uma imperial

A ideia da máquina pensante há muito que nos assombra. A mim, pelo menos, desde 1984 quando um ex-governador da Califórnia voltou do, ainda distante, ano de 2029 para matar uma empregada de mesa. Tal facto não tem obviamente impedido que a comunidade científica tenha levado a cabo nas últimas décadas um esforço considerável na área da inteligência artificial e que, brevemente, tenhamos nos nossos telemóveis um chip que aprende. O projeto Zeroth da Qualcomm tem os melhores cérebros da empresa a trabalhar num chip que, inspirado nos nossos neurónios, aprende com as interações que o telefone que o comporta tem com o mundo. Não será ainda algo estilo Chappie, filme que esteve recentemente nas salas de cinema mas estará muito próximo dum nível…canino. A ideia é que estes chips possam aprender consigo e que tomem ações em função dessa aprendizagem. Pense por exemplo em aplicações que dependerão mais das suas expressões faciais e movimentos que do seu toque em botões. Pense num conjunto de sensores always-on que por som, luz ou movimento detetem onde se encontra e que podem antecipar o que deseja no ambiente em que se encontra.

Quem também já antecipou o que muitos de nós desejava foi o Facebook e através da (im)provável app Messenger. Depois de no ano passado ter sido alvo de um spin off da app principal e ter desencadeado a ira de milhões de utilizadores, a empresa de Mark Zuckerberg decidiu que era altura de entrar na onda que todos querem surfar e vai disponibilizar já nos próximos meses a possibilidade de enviar e receber dinheiro dos seus contatos no Facebook. Basta que tenha associado um cartão de débito (a empresa diz querer minimizar os riscos de fraude) à sua conta para que no seu terminal Android ou iOS possa aceitar ou enviar dinheiro com simples toque. Sendo que sensivelmente metade dos utilizadores da rede social são exclusivamente mobile, trazer para esse ecossistema os dados de pagamento de 745 milhões utilizadores seria um trunfo que hoje só seria comparável ao do iTunes.

O que resta saber é se o Facebook planeia fazer um update ao Messenger quando o Snapdragon 820, o novo chip da Qualcomm que falava acima, estiver nos novos equipamentos e se a app perceberá que, pelo menos pela minha parte, os gestos e expressões faciais são de sempre o de estar disposto a aceitar um depósito.

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