UBER: No país dos serviços serve-se (muito) mal

E mais verdade se torna quando nos restringimos aos grandes centros urbanos e, pasme-se, às regiões com maior afluência de turistas. Vide o Algarve no verão e Lisboa…o ano inteiro. Nem vou falar da repulsa que se verifica nas maior parte dos serviços em atender o cliente. É um frete. Todo o português acha que devia ser servido em vez de servir. O português nasceu para ser patrão. Até ser patrão. Quando é responsável por se pagar a si mesmo chega à conclusão que tem de servir bem. Melhor que os outros.

Vem isto a propósito de mais uma aplicação que nas últimas semanas mereceu os protestos de taxistas por quase Europa, de Londres a Berlim, passando por Paris e Milão, tendo chegado a parar cidades onde a mesma ainda não se encontra como foi o caso de Madrid. A Uber está só ainda opera em Barcelona. A Uber, convém esclarecer é uma aplicação que permite, pelo seu smartphone, solicitar um serviço de motorista ocasional. A app obtém a sua localização, encontra o motorista mais próximo, requisita-o e envia-lhe a si toda a informação deste. Onde está, quanto tempo demora até apanhá-lo, o tipo de carro e a respetiva matrícula, assim como a informação do motorista. Quando o carro chega próximo de si recebe uma notificação e pasme-se, consegue saber em antemão qual será o valor da tarifa inserindo origem e destino e pagar através da aplicação dado que, anexado à sua conta na Uber tem um cartão de crédito. Gorjeta incluída feche a viagem na app e classifique-a. Diga o que achou do carro, da viagem, do motorista. Do serviço em geral. Uiiiiiiiii….

Percebe agora a indignação dos taxistas portugueses. “Que não pode ser. Que este serviço não está regulamentado. Que não pagam licenças. Que não estão sujeitos às mesmas regras do serviço de táxi.” Isto porque a Uber já se encontra a recrutar motoristas em Portugal. Percebe-se a indignação. O nosso serviço de táxi é extraordinário. Na sua grande maioria os carros são novos, confortáveis, limpos e o serviço é sempre atencioso. Que receio poderão ter a maioria destes profissionais?

Situação análoga sofreu o alojamento com aplicações como Airbnb. Parece que ambas coexistem, os hotéis não se ressentiram. Já tinham provado o TripAdvisor e depois o Booking.com. Ajustaram-se.

A questão continuo a identificá-la no serviço. Porque, em Portugal, na maioria destes serviços, quem o presta continua a não agradecer o cliente. Porque a sensação que tenho sempre que ando de táxi é que apesar de pagar o que indica o taxímetro ainda lhe devo qualquer coisa. Não devia ser ao contrário?

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