O papel do papel

Já se deve ter perguntado quando é que esta revista tem uma versão iPad/tablet. Eu faço-o quase todos os dias :) mas esse é o meu papel. Como responsável por uma empresa de desenvolvimento de soluções para estes dispositivos sou frequentemente abordado por responsáveis na área da imprensa escrita sobre o papel. O papel deste novo veículo de informação ou o que vai acontecer ao meu papel? Enfim, algo que quem se move nestas áreas – imprensa e tecnologia –  sabe não ser questão virgem mas que com o avolumar de publicações digitais a surgirem em versão tablet faz com que, os outros editores não queiram, legitimamente, ficar fora comboio. Quase todos os jornais nacionais começaram por ter a sua app iPhone e Android. Agora chega a vez de monetizar a edição tablet.

Como esta é uma coluna de opinião, tomem lá a minha. A imprensa em papel estará entre nós ainda durante muitos e bons anos. Não os quantifico mas serão ainda alguns. Quanto à qualidade dos mesmos enfim, o último trimestre indica que as quedas do papel foram grandes e generalizadas mas terá mais a ver com a conjuntura económica do que com uma migração para as edições tablet.

Reparem que contra mim falo. Tenho todo o interesse em que editores queiram ver os seus jornais, revistas e livros em aplicações para smartphones ou em edições digitais para os tablets. O que me parece é que ambas conviverão durante algum tempo. Agora se me pergunta se deve estar lá? Se deve ter uma aplicação ou se já é altura de ter a sua publicação digital nos tablets…claro que é! E por estes dias já vai tendo soluções bastante interessantes, a preços que convidam a que migre a sua edição papel para estes dispositivos.

As vantagens sobre o papel – também terá as suas desvantagens, acredito – são significativas: a facilidade e conveniência da compra, da renovação das assinaturas, do acordar e ter a edição já pronta a ler no tablet, do poder ter em banca e vender edições anteriores, de ter um novo canal publicitário…elas continuam.

Agora, continuará a imprensa papel a desempenhar um papel importante? Para mim sim. Pelo menos, pelos menos nos dias seguintes às vitórias do Glorioso ninguém me tira a compra do jornal desportivo versão papel.

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