NÉNTENDO

 

Eu néntendo, muitos analistas na área tecnológica néntendem mas o facto é que a Nintendo esteve mais de 6 anos e milhares de milhões de dólares à espera para lançar algum jogo para plataformas móveis (entendam-se aqui iOS e Android) antes de a 6 de Julho passado ter começado a lançar o Pokémon Go nos EUA, Austrália e Nova Zelândia.

E percebe-se ainda menos quando há muito se especulava como uma empresa que detêm 1/3 da Pokémon e um número indefinido de ações da Niantic – a empresa que começou como um grupo de engenheiros na Google dedicado ao desenvolvimento de jogos sobre Realidade Aumentada e que se separou o ano passado tendo ficado, no entanto dentro do império Alphabet -, e consequentemente personagens como o Mario Brothers e Co., esperou que as receitas de software caíssem mais de 80% desde 2009. Isto naturalmente a acompanhar o declínio das consolas da marca que teve na Wii em 2008/9, o seu último êxito.

Escrevo este artigo precisamente uma semana depois do lançamento do jogo e este já tomou, literalmente, o mundo de assalto. Os números são esmagadores em todos os sentidos e já é considerado o mais bem-sucedido lançamento de jogo para mobile de sempre, ultrapassando a saga Candy Crush, Clash Royale e outros megahits.

Para que tenha uma ideia do sucesso, 2 dias depois de ser lançado, nos EUA já tinha mais instalações que o Tinder, uns dias mais tarde já tinha ultrapassado o Twitter em número de utilizadores diários e o tempo de utilização diário já é superior ao de aplicações de messaging como o Whatsapp e quase o dobro do Instagram.

Eu, se olhar para o Pokémon Go de um prisma parental vejo-o de duas formas. Como provavelmente já sabe o jogo leva-o a levantar-se do sofá e a procurar sobre realidade aumentada no mundo “lá fora” os monstrinhos que deve capturar e treinar. Isto está a fazer levantar teenagers como o meu da frente dos PC’s e consolas e a caminharem em procura dos bichinhos uma média superior a 5Km por dia. Como não há bela sem senão, imediatamente foram indicados casos onde indivíduos menos bem-intencionados aguardavam nos PokéStops os exploradores para os roubar, quem encontrasse cadáveres ou quem, por azar tivesse a sua casa “habitada” por um desses monstrinhos e tivesse um ror de gente à porta de forma a capturar o bicho.

Voltemos aos números: 2 milhões de dólares diários de receitas do jogo e valorização em bolsa da Nintendo para os 13 mil milhões dólares, um crescimento de 76% numa semana apenas. Néntendo do que estiveram à espera.

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