Não há refeições grátis

Já aqui tinha escrito há uns meses que não perdia nada se passasse 90 minutos a ver o documentário “Terms & Conditions May Apply”. Veja só quão frequente é que assinemos por baixo sem sequer sabermos o que estamos a autorizar. Não foi assim que a PT meteu 900 milhões de euros no BES. Ou talvez não? A culpa nem foi deles. É mais ou menos isso que diz o Facebook. A culpa é da Google e da mal elaborada e apresentada lista de permissões das aplicações no Android.

Vem isto a propósito da bem classificada app spin off “Facebook Messenger”. 

Desmembrada da app original há uns meses atrás veio o Facebook o mês passado torna-la obrigatória para que deseja continuar a trocar mensagens com os seus contactos do/no Facebook. Género, ou instala ou não há mensagens para ninguém. Como ninguém gosta de ser obrigado a nada a app tem tido o comportamento mais estranho das stores: simultaneamente odiada (votada com 1 estrela) e número 1 de downloads na Play Store e App Store.

A celeuma maior nasce quando surgem alguns artigos na Internet a questionar as permissões que a aplicação pedia ao utilizador Android aquando da instalação da app. Ao contrário da Apple que tem um modo granular de ir pedindo permissão para utilizar determinadas funções ou o dispositivo, o Android pede-as todas de uma vez só antes de instalar as aplicações. Pode-se discutir qual a forma mais honesta, a mais bruta está identificada. E no caso do Facebook Messenger a coisa apresentada como é parece uma diabólica forma engendrada deste gigante da internet de recolher informações sobre si…e é. Sempre foi.

O pedido de permissão para ler os seus emails e SMS’s, vasculhar os seus contactos e editá-los, enviar-lhes mensagens, aceder ao microfone, fazer o seu dispositivo vibrar, tirar fotografias e vídeos – a lista parece interminável – é e foi facilmente justificada por representantes da empresa. Não estava à espera de ter todas aquelas funcionalidades que lhe parecem mágicas sem que a aplicação se  recorresse de informação sua e com si relacionada. Não só a aplicação Facebook sempre fez esses pedidos – o Facebook Messenger não está a pedir nada de novo – como muitas outras o fazem, do Instagram ao Whatsapp. Como sabe não há refeições grátis. Estas apps alimentam-se do utilizador, dos seus dados, da sua informação. Uma das grandes questões que vigoram desde os primórdios da Internet e agora no mobile é do que está disposto a abdicar, do que está disposto dar para fazer parte deste redondel. 900 milhões se calhar não os tem mas esteja certo que é parte crucial do negócio destas empresas quando assina de cruz sem ler. Ou lê?

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