Migrar ou Emigrar?

Um dos números mais reveladores da mudança do paradigma comunicacional é a forma como hoje acedemos à informação. Ou seja, como acedemos à Internet. Como exemplo podemos mencionar o caso específico da Apple e ficamos a saber que os dispositivos iOS ultrapassaram – também – neste campo de acesso à net os Macs e o OS X.

Mas o número mais interessante para esta coluna veio das vendas. Em 2011 e, pela primeira vez, um estudo da Canalys indica que a venda de smartphones superou a venda cumulativa de PC’s, notebooks, netbooks e tablets.

Um outro estudo, este pela TechNet sobre a chamada AppEconomy é revelador da importância crescente deste sector de actividade na economia. Mesmo nas economias mais avançadas. O estudo revelava que, desde 2007, só nos EUA a AppEconomy tinha gerado 466.000 empregos.

Ora, procure nas páginas amarelas por uma boa escola de formação em desenvolvimento para plataformas móveis. Vai-se ver Grego. E hoje em dia isso é coisa que ninguém quer.

Vendo a questão pelo prisma do empresário que procura esta mão de obra qualificada o problema torna-se ainda mais premente. Como em qualquer mercado baseado na oferta e procura, sendo a oferta escassa o valor destes profissionais sobe em flecha.

Para ajudar à festa, à inerente mobilidade do mundo atual juntaram-se os conselhos do governo português e os talentos começaram a desertar para partes do globo onde são melhor remunerados.

Esta é uma solução. A outra é vender o trabalho desde Portugal. Em vez de exportarmos os talentos (pessoas) porque não exportar o talento (trabalho)?

Em vez de emigrar, nas mãos de docentes competentes migrávamos competências para a área mobile e a AppEconomy.

Olhe para o Brasil. Uma economia florescente, onde a mão de obra qualificada escasseia e é já mais cara que em Portugal. Países como a Índia, o Paquistão vendem estes recursos qualificados a um preço mais acessível que e para o Ocidente mas só quem já trabalhou com estes mercados sabe que, a língua (apesar do Inglês) e as diferenças culturais tornam a relação laboral desgastante. Por vezes a coisa sai mesmo mais cara.

Dotados de uma língua universal e de talento linguístico quase inato, porque não serem as empresas portuguesas a vender este trabalho no Brasil e no resto do mundo?

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