KickStart à Ouya

A Ouya ainda não existe. A Ouya é uma consola de jogos para a TV logo não é mobile mas na sua essência (quase que o) é. O sistema operativo será baseado em Android e por tal irá permitir que, todos aqueles que hoje desenvolvem jogos para terminais Android, os migrem depois para esta plataforma. Mas a Ouya ainda não existe. Já é mais que um conceito, é um projecto com um protótipo funcional. Mas mais interessante que todo o conceito do projecto foi o feito extraordinário de conseguir angariar financiadores para a concretização do projecto – que estava orçamentada em 950.000 dólares – em apenas 8 horas numa plataforma de crowd fund raising que dá pelo nome de Kickstarter.

O projecto foi submetido no passado dia 10 de Julho e, à data que escrevo esta coluna, já consegui o feito extraordinário de angariar mais de 5 milhões de dólares entre mais de 40.000 pessoas.

Tal feito merece, naturalmente, atenção por um conjunto de razões. A ávida resposta de quem ajuda a financiar este projecto – e que pode ir da simples reserva de um nome de utilizador na plataforma por $10, à compra da Ouya por $95 até à classe de business angel com +$10.000 – é o facto de se criar aqui mais um ecossistema que “baralha e volta a dar” .

A Ouya terá a sua própria loja de jogos e não será alimentada pelo Play Market da Google. Quebra também as barreiras do jogo de desenvolvimento e distribuição de jogos para as consolas. Põe o poder na mão do povo. Dá aos pequenos e independentes programadores de jogos a possibilidade de colocar na televisão aquilo que até hoje estava apenas disponível para os dispositivos móveis.

O facto é que, na era da explosão do mobile, se assiste também à convergência. Porque mais que tudo, o que interessa que o utilizador esteja retido num ecossistema. Para o utilizador que abraçou um smartphones há, digamos, mais de um ano, os custos de migrar de um terminal Android para Apple ou vice-versa são enormes. Não é só o valor da compra do terminal. Durante esse período provavelmente comprou jogos, música, aplicações, etc. Isto que o torna-o quase plataforma-dependente. Repare que há mais de um ano que se fala numa mítica iTV da Apple. A ser real, e sabendo-se das reduzidas margens do mercado dos televisores, que interesse seria o da Apple que não o de fidelizar ainda mais o utilizador ao seu mundo.

A Ouya, sendo disruptiva, é mais uma forma de distribuição de jogos independentes que coloca os seus/nossos jogos mobile Android na TV…e a Google, embora ainda sem se pronunciar, não se deve importar nada com isso.

Mas voltando ao início caro leitor…tem alguma ideia que queira ver financiada? Dê um salto ao KickStarter. E se for mobile fale comigo.

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