Parece claro que se tivesse que tomar a posição na querela que alimenta “Eu sou um Mac ou PC” a minha posição seria clara. Nem sempre teria tomado o caminho Apple e, hoje em dia é certamente mais fácil fazê-lo. Como muitos portugueses cresci com o Windows e só a palmada na indústria da música que foi o iPod me levou a comprar produtos Apple. Relembro-me que então a Apple tinha uma posição muito segmentada no produto junto dos criativos gráficos com poderosos computadores que faziam jus ao nascimento da marca.

Hoje escreve-se que a Apple deixou de inovar. O iPhone 5S e C e lançamento do  iOS7 não tiveram o encanto dos lançamentos da era Jobs nem o envolvimento da media que hoje se limitam a seguir as ordens de Wall street. Para agravar ainda mais a questão o iOS7, de tão disruptivo que foi com o design anterior do sistema, criou o efeito amo-te/odeio-te nos consumidores. Desde o WWDC que o tinha instalado no meu iPhone 5. Agora tenho-o no iPhone 5S. Duas semanas depois de ter a última peça saída de Guangzhou com design californiano e de me ter resistido na luta de encontrar o modelo nos EUA que não já não me vejo sem usar o touch id. Eu que nem usava código no iPhone. Quero supor que o mesmo se aplica a todos os gimmicks usados nos Galaxy. Do air gesture ao smart pause. Vindo de Las Vegas de uma conferência que olhava o dinheiro em 2020 não pude deixar de ver, com alguma pena minha, a morte lenta a que se parece assistir no NFC. Eu que defendi aqui por várias vezes a tecnologia e lhe previ um futuro risonho questiono, como já muitos o fazem, se será esta a tecnologia que vai revolucionar os pagamentos. Há três anos que se afirma que “é este ano”.

Há três anos que se questiona a Apple por não incluir o chip NFC no iPhone. Factum est que em Vegas o que se falou sempre se mencionou como “o” caso de sucesso dos pagamentos móveis foi o do Starbucks. App mobile de pagamento, associado a cartão de crédito que lê depois o cartão de fidelização do cliente que foi carregado com dinheiro via o tal cartão de crédito. Algo longe de uma solução transversal como seria a utilização da tecnologia NFC. Desde o 4S que iPhone traz um chip de Bluetooth LE. Em Junho com o iOS7 foi-nos dado a conhecer os iBeacons. Uma forma de utilizar o Bluetooth 4.0 como forma de navegação e geofencing dentro de portas. Com mais de 500 milhões de contas iTunes e com 500 mil a serem criadas todos os dias o que vai impedir a Apple de abrir a torneira e tornar os ibeacons, o Bluetooth LE e o touch id de ser o método de pagamento que realmente vai pegar? Ahh, é verdade, a Google tem a fatia maior do share de Mercado. Acontece que o iBeacon é baseado em tecnologia aberta. Pegue nela se quiser. Acredite que não é um gimmick.

Share This