HER – Termos e Condições

Reconhecerá o leitor o título como sendo de um dos candidatos ao óscar de melhor filme pela Academia em 2013. A interpretação de um recuperado Joaquin Phoenix é fantástica e a voz da Scarlett Johanssontorna a assistente virtual muito credível. No filme em causa torna-se mesmo apetecível e o romance entre homem e máquina floresce. O argumentista e diretor do mesmo tiveram uma aproximação interessante ao conceito de assistente virtual que nos tem vindo a ser servida – mal servida –nos últimos três anos. O filme é passado num futuro próximo e a abordagem é a da tecnologia não intrusiva. A presença física de dispositivos é limitada ao indispensável e a interação com a máquina é feita por voz e um aparelho sonotone-alike no ouvido do ator principal. A semelhança com realidade e as relações ditas normais são ainda mais acentuadas pelo facto da assistente virtual se tornar por vezes um pouco chata. Ou dengosa mesmo. Coisa própria de um período de acasalamento não consumado. E começamos a pensar que afinal esta casal poderia ser mesmo verdadeiro quando esta lhe começa a vasculhar os emails. Consentido, é verdade mas ainda assim algo que se assemelha à devassa. Já que estou numa da filmes ganhe hora e meia a ver “Terms & Conditions May Apply”, um documentário sobre de origem norte-americana que nos elucida ou relembra toda a informação que aceitamos dar de barato cada vez que assinalamos aquelas checkboxes de qualquer serviço web que subscrevemos. As técnicas para baralhar o utilizador são científicas e eficazes. Relembre-se da última vez que leu algum dos termos e condições.

Vem o tema a propósito de uma das funcionalidades do mais que provável lançamento da assistente virtual da Microsoft aquando do update do Windows phone 8.1. Nome de código Cortana , tem entre as suas listagem de funcionalidades anunciadas a capacidade de percorrer os seus emails e encontrar nestes contatos, lugares e datas que lhe permitam inferir que deve marcar algo na sua agenda. Com toda a celeuma em redor da espionagem da NSA e outras agências governamentais, dar a um sistema operativo a capacidade de ler de cima a baixo todas as suas comunicações escritas e inferir algoritmicamente que quer realizar determinada ação é muito ao estilo do que vemos no HER. E pelo menos para mim, pelo menos para já vou traçar aí a linha. Se alguém tiver que ler os meus emails, mal o menos, seja a minha mulher. Ou uma secretaria de carne e osso que às vezes já vou precisando.

Share This