Estou mesmo no ponto!

O ponto podia ser o ponto G, o tão afamado ponto G que agora se diz não existir. Portugal será exceção. Em Portugal teremos sempre, pelo menos, o ponto G de Gautier. Marta Gautier. A psicóloga e escritora defendeu com unhas e dentes a proposta do Bloco de Esquerda de ir um pouco mais longe na proposta de lei do stalking que visava, também, penalizar o piropo. E é por aqui que a app Good2Go peca. Mas o que é e para que serve a Good2Go? Comecemos onde tudo começa, no princípio. E que à tecnologia diz respeito, muitas vezes, também, na Califórnia. Foi aqui que uma outra proposta de lei visava impor às universidades estatais um espécie de função policial sobre a vida sexual dos estudantes. Objectivo: certificar que as relações sexuais entre alunos seriam afirmativamente consentidas. Isto é, que não se punisse só com um “não, não quero” mas que se requeresse um “sim, quero”. Só assim o consentimento entre o casal seria validado. Logo na blogosfera surgiram uns apelos a que deveria haver uma app para isso. Isto foi em junho. Em setembro tínhamos uma na App Store. Ora a Good2Go não vão até ao piropo. A aplicação propõe-se ajudar a diminuir os crimes de natureza sexual, objectivando o uso da aplicação como forma de eliminar mal-entendidos. Vamos lá.

Vamos assumir, apenas que por breves momentos, que a iniciativa de lançar a app parte da parte do elemento masculino (presumamos também que é uma relação heterossexual). Ela pergunta se o que ele tem no bolso é um smartphone ou está contente por vê-la. Ele diz serem ambas. Saca o mesmo do bolso e abre app. O romance paira no ar e logo aumenta quando ele lhe passa o telemóvel para a mão. A aplicação questiona-a se ela “está pronta para ir?”. Assim, toma lá. Hipótese de resposta tem só três que é para não estorvar o momento. Um “Não, Obrigado” – há que manter a educação, por mais rude que seja a metodologia escolhida -, um “Sim, mas precisamos falar” – que seria da coisa sem uma conversinha prévia?-, e um “Estou prontinha, vamos lá”. Escusado é referir que só com o “vamos lá” é que o rapaz ficaria satisfeito. Ainda assim a coisa não fica por aqui. A ideia da app é comprovar que quem consente está na posse das suas faculdades (eu não disse que a app era dirigida a universitários?). Não precisam é ser todas. Em caso de resposta afirmativa, o ecrã seguinte presenteia a moça com outras hipóteses igualmente sedutoras: “Estou sóbria”, “Um pouco intoxicada”, “Intoxicada, mas prontinha para ir” – ahhh valente – e um esclarecedor “Estou completamente bêbada”. Seja esta última resposta a dada e a app passa para novo ecrã que reitera “Lembra-te, Não é Não!”. Qualquer outras escolha leva a um outro ecrã onde é questionado a quem consente se já é utilizador ou não. Caso não seja deve introduzir o seu número de telemóvel, confirmar que é maior de 18 anos e inserir um código de 6 dígitos que será enviado para o seu telemóvel de forma a validar a identidade. Finalizado este simples processo o ritual de acasalamento está completo e está tudo pronto para a brincadeira. Oram vejam lá se o mundo não mudou mesmo desde a última gravidez da Marta Gautier?

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