Disrupção Alpha

Mesmo olhando este mundo mobile diariamente há coisas que me escapam. Mais ainda quando fogem do negócio propriamente dito. Não meto as mãos no código. E não que não me entusiasme com a WWDC da Apple ou a Google I/O. Adoro.

Assusta-me no entanto quando regras basilares que podem mudar a indústria me escapam. E na última WWDC escapou-me uma. Uma que pode mudar a indústria das aplicações. Ou pelo menos de alguns milhares delas.

É do conhecimento geral que não raras vezes instalamos uma aplicação, por regra grátis, para não mais a utilizarmos ou a apagarmos no momento seguinte. Ou porque não serve o nosso propósito, ou porque a descrição era mais interessante que a app em si ou porque já tinha uma que fazia mais ou menos a mesma coisa. Escrevo esta coluna no dia de lançamento do iOS8. O Tim Cook já apresentou os iPhones 6, o Watch e o Pay. Este último então seria coisa para me perder em palavras. Há muito que alimento os pagamentos móveis. Mas o iOS 8 traz novidades que podem ser mais disruptivas para esta indústria aplicacional que o Pay. Chamam-se extensions e desde junho que foram apresentadas. O que são. Deixem-me que pegue nos exemplos do artigo que me abriu os olhos. Até há bem pouco tempo tinha-se quase convencionado o conceito da Internet da Apps. O modelo de navegação entre apps é (seria) mais ou menos o mesmo que na Internet. Consultamos o Google maps para navegar ou localizar restaurantes próximos, depois o Yelp para ver as críticas e por fim pesquisamos no browser que prato era mesmo aquele que todos referiam que deveríamos experimentar. E assim navegamos entre apps. A Google implementou esse modelo de navegação entre apps que nos permite navegar de app em app sem ir sequer ao home screen. O Facebook fez o mesmo com os App Links. A própria Apple tinha já ente sistema de links app-a-app implementado. Tudo parecia caminhar no sentido da materialização da Internet da apps. Ora, as extensions da Apple podem mudar tudo isso. O que são? Imagine os plugins do Photoshop ou os bloqueadores de pop-ups. É nisto que muitas app se podem tornar. Como? Tome como exemplo poder fazer o pin na sua conta Pinterest dentro da sua app de receitas ou permitir ao Bing traduzir um menu em Russo dentro do Safari. Ou mesmo utilizar uma app de edição de imagem dentro da app Camera da Apple. No que é que isto dá? O que o autor ousou chamar de apps Alpha. Um número reduzido de aplicações que irão residir no seu home screen e farão uso de muitas outras apps ou funcionalidades dessas mas que nunca serão, realmente, abertas. A questão que se coloca é que modelo de negócio será deixado a essas aplicações fantasma quando se sabe que o modelo que reina é o free ou freemium. A seguir pegue no relatório da comScore do passado mês de Agosto e valide que 65,5% dos utilizadores nos EUA não fez, em média, download de qualquer app nos 3 meses anteriores mas que ainda assim o tempo médio passado com aplicações tinha crescido 20% face a 2013 e ultrapassava já o tempo passado com o PC. Misture tudo (ou some) e tem aplicações as Alpha. E sim, continua há uma app para tudo. Se calhar não precisa delas é no seu home screen.

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