Bad Deal

Se houve uma categoria de aplicações que proliferou no último ano, ano e meio foram as aplicações dos também proliferastes websites/empresas de vouchers e ofertas.

O fenómeno, se bem se lembram, nasceu com a Groupon nos EUA, sofreu réplicas à escala europeia e acabou por também se estabelecer no nosso país. Numa economia à beira do colapso e com a inevitável contração do consumo os empresários observaram aos retalhistas e comércio em geral uma agonia pungente que prometiam sanar com invasões de clientela que via nas parangonas publicitárias uma miríade de opções para satisfazer as suas necessidades de consumo.

O negócio do lado de cá do Atlântico rapidamente ganhou popularidade e além dos óbvios gigantes nacionais como os o Sapo, surgiram LetBonus, Planeo e outros que tais. O negócio, se o pensarmos em primeira instância offline era uma coisa que se permitia afirmar como: A Vida é Bela. E não é que não seja ou possa ser. Se calhar só não o poderia ser nos moldes em que o negócio foi construído e/ou na altura em que atingiu maturidade.

Dois exemplos rápidos: em finais de Outubro de 2011 a Groupon estabelecia o preços das suas ações em 20 dólares para entrada no Nasdaq, o que colocava a empresa a valer 13 mil milhões de dólares. Hoje cada ação está abaixo do 3 doláres e analistas ainda esperam que desça mais. Isto continuando uma empresa viável. Há uma década atrás surgia em Portugal uma marca que vendia experiências. A vida ainda era bela e o mercado empresarial estava receptivo. Quando surgiu a oportunidade de passar ao consumidor final a empresa tomou o caminho natural e fê-lo também. Fez bem.

Tanto online como offline os deals cercaram-nos. Da nossa inbox às grandes superfícies as ofertas das empresas de deals surgiram como cogumelos e, como estes, os copycats surgiram nas mais variantes formas. Hoje o mercado está saturado e os deals estão em todo o lado. Não estão e nunca estiveram foi do lado do retalhista. Estão do seu próprio lado, o que é perfeitamente legítimo, mas que em ultima instância pode levar a que mirrem. É que este negócio, como todos, só é bom quando é bom para todos os stakeholders.

Para já, a Vida deixou de ser bela.

Reconheço que tenho uma tendência para me repetir quando acho que tenho razão. Já me repeti nesta coluna sobre os pagamentos mobile e hoje repito-me sobre um amor antigo. Há uns anos colocaram-me nas mãos um serviço de Location Based Services (LBS) numa altura em que ainda pouco ou nada se falava de georeferenciação. Hoje com os smartphones que temos no bolso e neste enquadramento o termo terá de ser geofencing, o que equivale a dizer que ao redor de si e do seu telefone o retalhista tem de lhe (me) colocar uma cerca. Mais que oferecer através destes provedores de deals que lhes comem as margens do negócio e que apenas lhe traz trabalho, o retalhista/lojista terá de ter as suas próprias ofertas, na sua própria aplicação e, sempre que os clientes lhe apareçam por perto tem de os “cercar” e trazê-los para dentro de portas.

É que a vida ainda pode ser bela.

 

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