A guerra dos Mundos

Não se trata de ser um Mac ou um PC. Ou melhor, até se trata. Trata-se dos mundos que estes criam e os rodeiam. Do seus ecossistemas – que é uma palavra tão na moda. E chegada a era pós-PC (desktop, laptop, anytop) o ecossistema que realmente interessa discutir é o da mobilidade, portabilidade, usabilidade, funcionalidade, facebookcalidade. Pouco interessa se no seu local de trabalho, por natureza do mesmo ou por questões orçamentais ainda tenha um desktop. Há muito que as empresas querem que leve o seu laptop para casa e que faça mais uma horinha de trabalho por dia. Ou que, o que começou com os Blackberry (alguém lhes dê algum crédito. Literalmente :), se estenda hoje a todos os smartphones e agora aos tablets. Responda lá a uns emails às 23h que não lhe faz mal nenhum.

Vem esta estória dos ecossistemas a propósito dos novos brinquedos a estrear nos próximos dias/semanas. O iPad mini e o Surface da Microsoft. À data que escrevo só posso especular sobre o primeiro e pouco ou nada dizer sobre o segundo – embora já tenhamos preços em dólares e especificações técnicas. A Apple já enviou o seu convite e a Microsoft os seus primeiros anúncios televisivos do Surface com gente a dançar e a fazer clic-clac com os fabulosos teclados. Mas de mostrar o que o produto realmente faz…nada.

É que “Há uma app para tudo” e todos esperamos que existam muitas para o Surface. Eu quero que existam muitas. Quero usar, também, este ecossistema …outra vez. É que há 5 anos atrás alguém me fez ver como se criavam raízes. Parece que se tem de plantar a semente – e esta tem de ser boa – e depois regá-la, dar-lhe carinho, falar com ela.

Sabe como é que Apple entrou nas empresas numa altura em que a RIM e os Blackberry dominavam o mundo corporativo? Por cima e em grande. Pelos srs. administradores que levavam os seus novos e gloriosos iPads para o escritório mas que não encontravam forma de os ligar aos sistemas empresariais. Daí a andar tudo de iPhone foi um pulinho. É claro que esta afirmação pode ser exagerada em Portugal. Afinal o nosso parque computacional é maioritariamente Microsoft. Mas na mobilidade? Até há pouco tempo a MSFT não tinha nem smartphones – e sim, também tive a minha parte de HTC com Windows Mobile, mas não era bem a mesma coisa que um Lumia, era? – nem tablets. Agora teremos o Surface. Aposta nesta Fénix?

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