Outras realidades: habituemo-nos

Escrevo estas linhas num átrio de um hotel na estrada da Samba. Para os portugueses que já não se lembram e para aqueles que ainda não sabem a estrada da samba liga Luanda a Luanda Sul – zona de Belas e Talatona. Estou em Angola para uma conferencia sobre pagamentos móveis. Algo que já abordei algumas vezes nesta coluna e tema que, definitivamente me apaixona. Saindo este texto na edição que se segue à conferência anual da Apple dirigida aos programadores mas que quase sempre serve de apresentação das novidades que são esperadas no iOS e nos respectivos dispositivos da marca, as novidades do iOS 7 seriam quase uma presença natural nesta coluna. Ainda mais porque, apesar da experiência nunca resisto a qualquer beta e trato sempre de instalar a primeira versão beta no meu iPhone de trabalho o que, inevitavelmente, me leva depois a alguns constrangimentos com clientes quando as aplicações começam a crashar. É mais forte do que eu. Fugi do tema.

Como dizia, estou na estrada da Samba, num digníssimo hotel de 4 estrelas no meio de muceques – bairros de cimento contíguos à cidade – a digerir o que pode ser o futuro sistema de pagamentos móveis em Angola. Elabora-se sobre o m-pesa, um sistema de pagamentos nascido de um operador móvel que hoje representa em transações um terço do PIB da Quénia mas que falhou na África do Sul e estuda-se qual a melhor solução para o país. Confesso que me agrada o modelo escolhido. A presença de profissionais vindos da competente SIBS em Portugal para a competente EMIS em Angola parece levar a melhor.

Recordo-lhe: é em África que os pagamentos móveis mais sucesso têm.

Só vem este tema a propósito porque apesar desta coluna abordar aplicações que o leitor associa aos smartphones e apesar de estes representarem neste trimestre quase 50% da venda de telemóveis a nível mundial – adivinhou – ainda faltam os outros 50%. E foram certamente esses 50% que levaram a chinesa Huawei – terceiro fabricante mundial de smartphones – a querer comprar a Nokia, a finlandesa caída em desgraça mas que ainda domina o mercado dos feature phones. Pense por exemplo na Índia, em telemóveis que são vendidos a menos de 10 euros e a planos de dados mensais a 1. Pense que é por aí que estão, também, a ser desenvolvidos sistemas de pagamentos por telemóveis. Como diz um amigo e colega, “é aí que está o marisco”. Desengane-se quem pensa que o mundo (já) é só iPhones e Androids. Em alguns anos será algo desse género mas entretanto há sistemas híbridos – como o Asha da Nokia – que colocam apps à lá smartphone em feature phones e além de facilitarem a transição de uns para os outros dão ainda muito dinheiro a ganhar.

 

P.S. Tem finalmente o Office 365 em app própria para o seu iPhone. Não vai é tê-lo no seu iPad. Há que proteger o Surface.

 

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